
quarta-feira, 30 de julho de 2008
O Calice

O Orgão
Resolveu este deixar á Igreja de Nossa Senhora do Carmo de Tavira a quantia de 300.000 réis para a compra de um órgão.
A mesa da Irmandade reúne-se e decide adquiri-lo em Sevilha, mas não tendo sido possível, resolve adquiri-lo no Porto ao fornecedor José Joaquim da Fonseca, em 1875 pela quantia de 1500 réis, tendo pago 1000 réis de entrada e o restante em diversas prestações. Antes porém, existia nesta igreja um órgão de menores dimensões com seis tubos, oito registos e de boa talha. A caixa do mesmo, já desprovida do órgão que se encontra actualmente na Igreja de Santo António da Atalaia, onde após umas trocas baldrocas muito curiosas que ninguém até aos tempos de hoje soube explicar.
Os Cemitérios da Ordem

Em meados do século XIX foi construído o pequeno cemitério onde deveria ter sido feita a capela-mor e o cruzeiro da igreja conventual dos Padres Marianos (acta de 18/06/1837).
Foi o mesmo construído para receber os “Irmãos” defuntos assim como a grande elite da cidade.
As suas funções tiveram início em 1864 (acta de 18/12/1963), enquanto que o da Ordem Franciscana de Tavira foi inaugurado em 1851 (acta de 28/02/1851). Salienta-se que no ano de 1855 após a epidemia ter assolado a cidade de Tavira, dai que fora necessário sepultar os mortos na fazenda pegada á Igreja do Carmo (processo arquivado no maço 7-2º oficio – Querelas do Arquivo Judicial de Tavira), local que nove anos depois é declarado cemitério (acta de 28/12/1963) da Ordem de Nossa Senhora do Carmo.
Cada missa que se dava ao defunto era de 12 a 200 réis, a 7/10/1905 passou a ser de 6 a 300 réis cada (acta desse dia). E quanto ao local do enterramento seria no próprio corpo da igreja até 1837, ano em que foi benzido o pequeno cemitério da Ordem Carmelita.
Podemos ainda observar que no século XX houve Irmãos carmelitas que tiveram a honra de serem sepultados no adro da igreja. Em 1868 a Irmandade passa a informar que (acta de 12/05/1868) tem interesse em vender catacumbas, enquanto que a Ordem Franciscana só iniciou o mesmo em 1874. Mais tarde, com a conclusão do novo cemitério municipal de São Pedro, as autoridades proíbem qualquer enterramento fora deste.
Pintura do tecto do altar-mor

Foi pintado em 1805 por Joaquim José Rasquinho. A mesma apresenta Nossa Senhora do Monte do Carmo entregando o escapulário a São Simão Stock.
Cadeiral da Irmandade

Digno de registo é o belíssimo cadeiral que ladeia a capela-mor. Foi a obra adjudicada ao pintor José Ferreira da Rocha, juntamente com a douradura do mesmo, por 700 réis (acta de Arquivo Municipal de Faro de 17/07/1813).
Receitas e Rendimentos
Igualmente, a realização da festividade do mês de Julho permite através do arraial popular, angariar alguns proventos, os quais são uma receita significativa para a Ordem.
A Banda Civil " Filarmónica "
Tinha por nome A Banda da Sociedade Filarmónica de Tavira, era seu Presidente o Sr. Silvestre Falcão de Sousa Pereira de Berredo, administrador do Concelho.
Pertencia esta Filarmónica á Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo que havia sido criada por elementos desta Irmandade após terminada a guerra civil entre liberais e constitucionais, exibindo-se para os Tavirenses entre 1839 e 1845.
Festividade de Nossa Senhora do Carmo


terça-feira, 29 de julho de 2008
Historial da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo

Os primeiros estatutos que esta comunidade possuiu, foram-lhe outorgados em 1715. Em 1911 foram renovados os antigos estatutos por já se encontrarem inadequados (acta da Ordem de 29/03/1911). Esta Comunidade religiosa teve início numa capela erecta na igreja de Nossa Senhora d`Ajuda, mais conhecida por igreja de São Paulo, na Alagoa.
Os eremitas de São Paulo fizeram um acordo com os carmelitas em que estes se comprometiam a seguir as suas regras, estes últimos pedem que lhes deixem edificar uma capela dedicada à sua Mãe Santíssima e Senhora do Carmo.
Foi no ano de 1747 que teve inicio o começo das obras da igreja que se prolongou por mais de quarenta anos tendo sido concluída em 1789 ano em que se efectuaram os últimos pagamentos ao mestre canteiro Manuel de Sousa Barros, para termino do remate do pórtico. Esta construção teve grande comparticipação de alguns membros da elite social local que contavam entre os Irmãos, nomeadamente os donos da Armação do Medo das Cascas. No decorrer das obras, os carmelitas passaram a sua sede da Senhora d´Ajuda para a Ermida de São Brás já mais perto do que seria a Igreja do Carmo.
As obras que então decorriam no interior da Igreja, prolongaram-se por mais de dois séculos.
A Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo de Tavira atraiu ao longo dos séculos muitos devotos. Em acta franciscana, consta que só no ano de 1800 se encontravam inscritos 3148 Irmãos, ou seja mais de metade da população era devota de Nossa Senhora, daqui se poderá ter uma ideia da grandeza que fora esta Irmandade, e que presentemente tem vindo a descair.